
Título: Benefícios da amamentação
Publicado: - Atualizado:
Autor: Isabel Francia
Avaliador: Dra. Leia Garrote - Diretor Médico
Benefícios da amamentação
Benefícios da amamentação e como os produtos BRUDYLAB apoiam o cuidado materno e infantil.
1. Introdução
A amamentação tem como objetivo alimentar o bebé. É uma experiência complexa onde convergem a nutrição, a imunologia, o desenvolvimento cognitivo e o vínculo emocional.
Durante os primeiros meses de vida, o leite materno atua como um alimento vivo que se adapta às necessidades mutáveis do bebé, fornecendo anticorpos quando este se encontra doente, ajustando a sua composição de acordo com a hora do dia e variando até de acordo com o sexo do recém-nascido.
Este artigo explora os aspetos menos conhecidos da amamentação: desde a bioquímica do colostro até às estratégias práticas para combinar a amamentação ao peito e com biberão sem comprometer a produção de leite. Veremos também como certos suplementos e produtos especializados — como os da BRUDYLAB — podem complementar este processo quando as circunstâncias o exigirem.
Porque é que a amamentação é tão importante?
Porque estabelece as bases para o sistema imunitário, influencia o desenvolvimento cognitivo a longo prazo e reduz significativamente o risco de doenças crónicas tanto na mãe como no bebé. E não se trata apenas dos primeiros meses: os efeitos da amamentação prolongam-se por anos.
2. Benefícios da amamentação
2.1. Nutricional: mais do que apenas calorias
O leite materno não é um líquido estático. A sua composição varia a cada mamada, adaptando-se às necessidades imediatas do bebé. O colostro, esse primeiro leite espesso e amarelado, contém concentrações muito elevadas de imunoglobulina A, um anticorpo que reveste o intestino do recém-nascido, protegendo-o dos agentes patogénicos.
Com o passar dos dias, o leite maduro incorpora:
- Proteínas de alto valor biológico com aminoácidos essenciais em proporções exatas.
- Os lípidos específicos, como o ácido araquidónico (ARA) e o DHA, são essenciais para a mielinização neuronal.
- Oligossacarídeos (mais de 200 tipos identificados) que atuam como prebióticos, alimentando a microbiota intestinal do bebé.
O caso da DHA
O ácido docosahexaenoico (DHA) merece destaque. Este ácido gordo ómega-3 constitui 40% dos ácidos gordos polinsaturados no cérebro e 60% na retina. Os bebés amamentados apresentam níveis significativamente mais elevados de DHA no plasma do que os alimentados com fórmula infantil padrão.
Quando a dieta da mãe é deficiente em peixes gordos — a principal fonte de DHA — a concentração desta vitamina no leite materno pode diminuir. É aí que entram em ação os suplementos formulados especificamente para mães que amamentam.
BrudyLactancia fornece vitaminas, minerais e Tridocosahexaenoin-AOX® (DHA de óleo de peixe concentrado), enquanto BrudyDHA 1200 oferece maior concentração para casos que requerem doses mais elevadas de DHA.
Em ambos os casos, o DHA do Brudy provém de fontes purificadas, evitando o risco dos metais pesados presentes nos peixes, mantendo níveis ótimos de DHA sem recorrer a megadoses.
Entre outros, o atum é um peixe oleoso predador que pode acumular uma grande quantidade de DHA na sua gordura.
Vitaminas: o delicado equilíbrio
As vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) dependem diretamente das reservas maternas. A vitamina D, por exemplo, é notoriamente baixa no leite materno se a mãe não tomar suplementos ou não se expor o suficiente ao sol.
Por isso, muitos pediatras recomendam gotas de vitamina D para os bebés amamentados.
As vitaminas hidrossolúveis (complexo B, vitamina C) são mais bem reguladas, embora as mães com dietas restritivas possam necessitar de suplementação. A deficiência de vitamina B12, comum em vegetarianos estritos, pode afetar irreversivelmente o desenvolvimento neurológico do bebé se não for detetada precocemente.
2.2. Imunológica: a primeira linha de defesa
O leite materno funciona como uma vacina personalizada. Contém anticorpos maternos (principalmente IgA secretora) que reconhecem os agentes patogénicos do ambiente imediato do bebé.
Se a mãe entrar em contacto com um vírus, o seu sistema imunitário gera anticorpos específicos que são transmitidos ao bebé na mamada seguinte.
Mas a proteção vai além dos anticorpos:
Lactoferrina: liga-se ao ferro, tornando-o inacessível às bactérias patogénicas que dele necessitam para se multiplicarem. Também danifica diretamente as membranas bacterianas.
Lisozima: uma enzima que destrói as paredes celulares bacterianas. A sua concentração aumenta progressivamente durante a lactação, atingindo o pico ao fim de 6 meses.
Oligossacarídeos: atuam como iscos, ligando-se aos recetores dos agentes patogénicos e impedindo que estes se fixem ao epitélio intestinal.
A evidência científica disponível indica que os bebés amamentados exclusivamente durante 6 meses têm até 72% menos hospitalizações por infeções respiratórias e 64% menos episódios de gastroenterite em comparação com bebés alimentados com fórmula (dados de meta-análise publicados em revistas pediátricas de referência).
O sistema imunitário de um recém-nascido é imaturo. O leite materno compensa esta imaturidade fornecendo componentes que o bebé ainda não consegue produzir: células imunitárias vivas (macrófagos, linfócitos), citocinas moduladoras e fatores de crescimento que aceleram a maturação intestinal. Durante os primeiros seis meses, este apoio externo é crucial.
2.3. Emocional: o laço invisível
Os benefícios da amamentação vão para além dos aspetos fisiológicos. Cada mamada liberta ocitocina, também conhecida como a hormona do amor, tanto na mãe como no bebé.
Além de facilitar a ejeção do leite, esta hormona reduz os níveis de cortisol (hormona do stress) e promove comportamentos de vinculação.
O contacto pele a pele após o nascimento, durante pelo menos 2 horas, é muito importante para o estabelecimento da amamentação; regula também a temperatura do bebé, estabiliza o nível de açúcar no sangue e sincroniza os ritmos cardíaco e respiratório com os da mãe.
As mães que amamentam apresentam menor incidência de depressão pós-parto (não confundir com a labilidade emocional comum após o parto). Embora a relação causal não seja totalmente clara — é possível que as mães com menor predisposição para a depressão amamentem com mais sucesso —, sabe-se que a amamentação prolongada está associada a uma melhor resposta ao stress materno e a uma maior sensibilidade aos sinais do bebé.
Para a criança, o peito não só acalma a fome: regula as emoções, alivia a dor (o leite materno contém endorfinas naturais), proporciona um refúgio sensorial constante num mundo opressor; o seio representa segurança.
3. Posições para amamentar
Uma pega inadequada e superficial, em que o bebé não consegue mover o mamilo até ao palato mole, seja devido a uma técnica de amamentação incorreta ou a problemas anatómicos do bebé (anquiloglossia), provoca 90% dos problemas de amamentação: fissuras, dores, mastites e baixo aumento de peso do bebé.
A posição correta não é uma questão de estética, mas sim de biomecânica: o bebé deve conseguir extrair o leite de forma eficiente sem danificar o tecido mamário.
3.1. Posições clássicas que funcionam
Posição de berço: o bebé repousa no antebraço da mãe, com a cabeça na zona do pulso (nunca no cotovelo), o que facilita a hiperextensão do pescoço e, consequentemente, uma maior abertura da mandíbula para uma pega ideal.
Esta técnica funciona melhor quando tanto a mãe como o bebé já têm experiência. Inicialmente, o bebé pode ficar demasiado baixo, fazendo com que a mãe se curve, pelo que é crucial garantir que esta mantém uma postura correta, evitando qualquer tensão que possa levar a distensões musculares. Utilize almofadas e apoios específicos para as costas, pescoço, cotovelos, etc., para ajudar.
Posição de amamentação cruzada: Semelhante à posição anterior, mas apoiando o bebé com o braço oposto à mama que está a ser amamentada, colocando a mão na parte superior do pescoço, entre as orelhas, o que permite um maior controlo da cabeça do recém-nascido e facilita uma pega correta. Ideal para bebés pequenos ou com dificuldades de sucção.
Posição de rugby ou posição de bola: o corpo do bebé é posicionado de um lado da mãe, por baixo do seu braço, com os pés a apontar para as costas da mãe. Especialmente útil após uma cesariana (não pressiona a incisão) ou com gémeos (podem ser amamentados em simultâneo).
Posição deitada de lado: mãe e bebé estão lado a lado, umbigo com umbigo, com o nariz do bebé à altura do mamilo da mama que vai ser amamentada. Esta posição permite o descanso durante as mamadas noturnas. Caso a prática seja a partilha da cama, devem ser tomadas algumas precauções de segurança (cama firme, sem almofadas perto do bebé, não cobrir o bebé em excesso e a mãe não deve estar sob o efeito de medicamentos para dormir nem fumar). Esta posição promove o prolongamento da amamentação, reduzindo o cansaço materno.
3.2. Alternativas para situações específicas
Posição biológica: a mãe reclina-se para trás e o bebé coloca-se de barriga para baixo sobre o seu tronco. A gravidade ajuda o bebé a estabilizar-se e este encontra a mama através de reflexos primitivos. Muito eficaz para bebés irritadiços ou em casos de reflexo de ejeção do leite hiperativo (o leite sai com muita força).
Posição de cavalinho: o bebé senta-se a cavalo sobre a perna da mãe, de frente para esta. Útil para bebés com refluxo, fenda palatina, anquiloglossia ou hipotonia (bebés com síndrome de Down) que necessitam de um maior controlo da cabeça.
3.3. Almofadas de amamentação: são mesmo necessárias?
Depende. Uma almofada de amamentação bem concebida eleva o bebé à altura do peito sem que a mãe tenha de curvar o pescoço ou forçar os ombros. Isto previne dores no pescoço e nas costas, que são comuns após várias semanas de amamentação.
4. Amamentação com biberão (ou amamentação tardia)
O aleitamento materno exclusivo, diretamente na mama, nem sempre é possível ou desejável. A hipogalactia verdadeira (produção insuficiente de leite), a técnica de amamentação inadequada ou o aconselhamento profissional incorreto, o regresso precoce ao trabalho, os tratamentos médicos incompatíveis (muito poucos são verdadeiramente incompatíveis) ou simplesmente a exaustão física podem levar à introdução da alimentação com biberão.
Fazê-lo sem prejudicar a amamentação exige estratégia.
4.1. Como combinar a amamentação e a alimentação com biberão (ou alimentação mista)
O principal risco é a confusão na técnica de sucção do bebé para obter o leite.
Não é que o bebé fique literalmente confuso, mas sim que aprende que o leite flui do biberão com menos esforço, devido à gravidade, uma vez que o bico liberta o líquido com uma sucção muito superficial, ao contrário da amamentação, que exige um movimento de ordenha com a língua, comprimindo a aréola contra o palato.
Estratégias que minimizam os conflitos:
- Bicos de fluxo lento com base larga, bico macio e formato anatómico, combinados com posições que obrigam o bebé a abrir bem a boca, hiperextendendo o pescoço.
- Método de alimentação em ritmo lento ou método de sucção: segure o biberão horizontalmente em frente à boca do bebé, estimule-o a procurar o leite antecipadamente e faça uma pausa a cada 15 a 20 sucções; isto evita que o bebé se habitue a um fluxo contínuo de leite e mantém a biomecânica da amamentação, o que beneficia muito o desenvolvimento craniofacial do bebé.
- Mantenha a regularidade na extração do leite: mesmo que o bebé seja alimentado com biberão, a mãe deve extrair o leite regularmente a cada 3-4 horas para manter os sinais de exigência da glândula mamária e evitar a diminuição da produção de leite.
O momento ideal para introduzir o biberão (caso pretenda fazê-lo) é entre a 4ª e a 6ª semana, quando a amamentação já está bem estabelecida, mas o bebé ainda é flexível. Antes deste período, durante a fase de adaptação ao biberão, a introdução do biberão pode provocar confusão de tetina, fazendo com que o bebé perca o interesse ou a capacidade de mamar diretamente na mama. Mais tarde, alguns bebés podem rejeitar completamente o biberão.
4.2. Alimentação mista: o verdadeiro meio-termo
Chamamos alimentação mista à combinação de leite materno e fórmula infantil. Pode ser uma solução temporária (enquanto a produção de leite recupera) ou permanente (quando a produção não satisfaz todas as necessidades).
Muitas mães sentem-se tentadas a oferecer primeiro a fórmula “para saciar o bebé” e depois a mama. Isto é um erro: reduz ainda mais a estimulação mamária e diminui a produção de leite.
O protocolo recomendado é:
- Ofereça ambos os seios, garantindo o esvaziamento completo.
- Ainda assim, se o bebé ainda estiver com muita fome, complemente com fórmula infantil, administrando-a da forma acima referida, para interferir o menos possível.
- A cada 3-4 dias, avalie se a quantidade de suplemento pode ser reduzida. Se o bebé estiver satisfeito e recusar o biberão, e se houver um aumento de peso adequado, podemos manter esta redução na suplementação até que esta seja descontinuada, se desejado.
Quando é que a alimentação mista faz sentido?
- Bebés com baixo peso à nascença, bebés prematuros, bebés com problemas cardíacos, malformações orofaciais ou outras doenças (hipoglicemia ou icterícia) em que a amamentação direta pode comprometer a saúde do bebé (por exemplo, os bebés com problemas cardíacos cansam-se facilmente durante a amamentação e os seus níveis de oxigénio diminuem) ou que necessitam de ganhar peso rapidamente.
- Mães com produção insuficiente de leite (hipogalactia primária ou secundária) que não responde às medidas habituais.
- Lesão grave no mamilo
- Interrupção temporária da amamentação por motivo de força maior (doença, acidentes…)
- Intervenções cirúrgicas prévias para aumento ou redução mamária que tenham danificado os ductos ou o tecido glandular.
- Situações de stress extremo em que a pressão para o aleitamento materno exclusivo agrava a saúde mental materna.
Não criemos mitos: um bebé alimentado com fórmula e uma mãe mentalmente estável representam um cenário melhor do que o aleitamento materno exclusivo com uma mãe à beira de um colapso.
4.3. O tema das chupetas
A recomendação oficial é evitar as chupetas durante pelo menos as primeiras seis semanas de vida do bebé, se possível, até que o aleitamento materno esteja bem estabelecido. Depois disso, as evidências são menos claras. Os estudos que relacionam o uso da chupeta com o desmame precoce confundem frequentemente correlação com causalidade: as mães com dificuldades na amamentação recorrem às chupetas, e não o contrário.
O que está provado é que o uso de chupeta reduz o risco de síndrome de morte súbita infantil (SMSI) em bebés alimentados com biberão. O mecanismo não está totalmente esclarecido, mas a proteção é significativa.
A amamentação em si já é uma medida de proteção contra a síndrome de morte súbita infantil (SMSI), pelo que a introdução da chupeta deve ser avaliada individualmente.
De salientar que o uso de chupetas ou tetinas de biberão levanta preocupações sobre as possíveis repercussões no desenvolvimento infantil a longo prazo. Diversos estudos examinaram estes efeitos, lançando luz sobre os possíveis impactos na saúde oral e no desenvolvimento da linguagem das crianças.
Orientações sensatas:
- Aguarde até que a amamentação esteja bem estabelecida (no mínimo 4 a 6 semanas).
- Ofereça a chupeta apenas depois de se certificar de que o bebé não tem fome.
- Escolha modelos ortodônticos que respeitem o desenvolvimento orofacial, com um bico estreito e do menor tamanho possível, não aumente o tamanho à medida que o bebé cresce, idealmente mantendo o tamanho entre os 0 e os 2.
- Não insista se o bebé rejeitar; muitos bebés não precisam disso.
5. Conservação do leite materno
Uma mãe que extrai leite materno regularmente lida com um produto biológico complexo que pode manter ou perder propriedades dependendo da forma como é armazenado. Não se trata apenas de evitar a deterioração, mas também de preservar componentes imunitários frágeis.
5.1. Métodos de extração: manual vs. elétrico
Extração manual
É uma técnica muito simples e, uma vez que se perde o medo dela, permite conhecer a fundo a glândula mamária e resolver situações em que não é possível utilizar uma bomba de extração de leite.
Para melhorar a extração de leite, recomenda-se a técnica Marmet (um método de compressão manual desenvolvido pela consultora Chele Marmet). Não requer qualquer equipamento e é útil para aliviar o ingurgitamento mamário, aumentar a produção de leite de forma mais controlada e ajudar a controlar a produção excessiva de leite, entre outros benefícios.
É muito importante salientar que este é o método ideal quando se pretende ou necessita de extrair leite sem sobre-estimular a glândula, evitando uma possível sobreprodução que poderia levar a complicações posteriores.
bomba de amamentação
- Bombas tira-leite elétricas: o modelo standard mais utilizado, são confortáveis e práticas. O mercado oferece uma grande variedade: sem fios, com fios, a bateria, mãos-livres… simples ou duplas.
Os modelos de bomba dupla reduzem o tempo de extração para metade e mantêm melhor a produção de leite, aumentando a estimulação. São normalmente usados em hospitais quando é necessário um aumento mais rápido ou a indução da lactação (bebés prematuros, bebés hospitalizados, baixa produção de leite, etc.). - Bombas de extração de leite manuais: A maioria funciona com alavanca; ao pressionar, cria-se um vácuo que realiza a extração. Existe uma nova gama de bombas de extração de leite manuais que se baseiam no processo de vácuo na mama: a bomba é colocada no interior do soutien e o vácuo gerado facilita a extração.
Chaves para uma extração eficiente:
- Faça-o sempre à mesma hora todos os dias (o corpo antecipa-se e prepara-se para a ejaculação).
- Ambiente relaxante: veja fotografias do bebé, sinta o cheiro das roupinhas, ouça um choro gravado (sim, funciona).
- Protetor de mamilos do tamanho certo: Se o seu mamilo roçar na borda, causa fricção, dor, redução do fluxo de leite e muita frustração.
Para encontrar o tamanho certo: Meça a parte frontal do seu mamilo e adicione 2 mm.- Até 17 mm – Tamanho 21
- Até 20 mm – Tamanho 24
- Até 23 mm – Tamanho 27
- Até 26 mm – Tamanho 30
- Não prolongue o processo de extração de leite por mais de 15 a 20 minutos em cada mama. Lembre-se que sessões de extração mais frequentes e curtas são mais eficazes do que sessões menos frequentes e mais longas.
5.2. Armazenamento: Conservar sem matar
O leite materno é um fluido vivo que contém células imunitárias ativas. A congelação preserva a maioria dos nutrientes, mas reduz a atividade de alguns componentes imunitários. Assim, o leite fresco é preferível sempre que possível.
Regra dos 4 (baseada nas recomendações da Academia Americana de Pediatria e dos bancos de leite):
- 4 horas à temperatura ambiente (20-25°C)
- Conservar no frigorífico durante 4 dias (a 4°C ou menos, na parte de trás, não na porta).
- 4 meses num congelador padrão (-18°C)
Coisas a ter em conta:
- Os leites a temperaturas diferentes não devem ser misturados para armazenamento (se tivermos leite no frigorífico e leite acabado de extrair, devemos esperar até que ambos estejam frios antes de os misturar e congelar).
- O leite descongelado deve ser consumido no prazo de 24 horas e nunca mais deve ser congelado.
- Ao descongelar, pode submergir o leite em água quente fora do lume ou sob água corrente quente da torneira, ou deixá-lo no frigorífico durante a noite. O principal problema deste método é que pode ativar a lipase do leite, conferindo-lhe um sabor peculiar que alguns bebés podem rejeitar.
- Nunca utilize o micro-ondas: cria pontos quentes que podem queimar o bebé e destruir as enzimas.
- O leite que foi aquecido, mas não consumido, não pode ser reaquecido.
- Caso o leite tenha entrado em contacto com a saliva do bebé, deve ser rejeitado entre 30 minutos e 1 hora depois.
Recipientes adequados:
- Os sacos específicos para leite materno (livres de BPA, herméticos e com etiqueta) são de utilização única.
- Recipientes de vidro ou polipropileno próprios para contacto com alimentos.
- As cuvetes de gelo podem ser uma boa opção em caso de necessidade, pois permitem descongelar pequenas quantidades até conseguir controlar a quantidade exata que vai precisar por porção.
- Recipientes pequenos (60-120 ml) para evitar desperdícios.
Porque é que a gordura se separa? É normal. O leite materno não é homogeneizado como o leite de vaca. Agitar suavemente antes de usar redistribui os lípidos.
5.3. Duração e sinais de deterioração
O leite materno acabado de extrair tem um cheiro adocicado, quase como baunilha. Com o tempo, as lipases (enzimas que digerem as gorduras) mantêm-se ativas e podem conferir um cheiro a sabão ou rançoso. Isto não significa que esteja estragado: continua a ser seguro e nutritivo, embora alguns bebés possam recusá-lo.
Se a lipase estiver muito ativa e o bebé recusar o leite descongelado, o leite fresco pode ser escaldado (aquecido a 60°C durante alguns segundos) para inativar a enzima antes da congelação. Isto sacrifica algumas imunoglobulinas, mas preserva a palatabilidade.
Sinais reais de deterioração:
- Cheiro azedo intenso, como leite de vaca podre.
- Separação que não se reintegra ao agitar
- Textura viscosa ou com grumos
Em caso de dúvida, teste uma gota no lábio. Se tiver um sabor ácido ou desagradável, descarte.
6. Suplementos e nutrição durante a amamentação
A amamentação exige uma ingestão extra de 300 a 500 calorias por dia. Mas não se trata apenas de quantidade: a qualidade da alimentação da mãe influencia a composição do leite, sobretudo o perfil de ácidos gordos e as vitaminas hidrossolúveis.
6.1. Suplementos para fortalecer o sistema imunitário
Uma mãe exausta e com carências nutricionais produz leite em quantidade suficiente, mas a sua própria imunidade e microbiota intestinal podem estar comprometidas, aumentando o risco de infeções (incluindo mastites) e afetando diretamente o bebé.
Suplementos com evidência sólida
- Vitamina D: quase universal em zonas com invernos longos ou pouca exposição solar. Doses diárias de 2000 a 4000 UI aumentam significativamente os níveis no leite materno.
- Ómega-3 (DHA/EPA): Se não consumir 2 a 3 porções semanais de peixe oleoso, a suplementação mantém os níveis ótimos sem o risco de metais pesados.
- Probióticos específicos: estirpes como o Lactobacillus fermentum ou o L. salivarius podem auxiliar no tratamento da mastite subaguda, especialmente quando há uso de antibióticos. Também complementam a microbiota intestinal do bebé.
Estas estirpes probióticas, com o apoio dos suplementos anteriormente referidos, destacam-se pela sua capacidade de promover a saúde da mãe e do bebé, principalmente através da suplementação da microbiota, redução de infeções e modulação da resposta imunitária.
BrudyLactancia é um suplemento multivitamínico-mineral específico para o período de amamentação que inclui:
- DHA (utilizando o óleo de peixe concentrado Tridocosahexaenoína-AOX®)
- Complexo B completo (B1, B2, B3, B5, B6, B8, B9/ácido fólico, B12)
- Vitaminas lipossolúveis (A, D3, E)
- Vitamina C (como L-ascorbato de cálcio)
- Minerais essenciais: cálcio, magnésio, ferro (como fumarato ferroso), zinco, selénio (L-selenometionina), iodo, cobre, manganês.
A formulação considera as sinergias nutricionais: o ferro é acompanhado de vitamina C para otimizar a sua absorção, e o DHA é complementado com vitamina E como proteção antioxidante.
As dosagens respeitam os limites de segurança estabelecidos para o período de amamentação. Sem glúten e sem lactose.
6.2. Alimentos que realmente fazem a diferença
Para além dos suplementos, certos alimentos contêm nutrientes particularmente importantes:
Aveia: Contém beta-glucanos que estimulam a prolactina. Não é um mito: muitas mães notam um aumento na produção de leite após incluírem aveia regularmente na sua dieta.
Nozes (especialmente nozes comuns e amêndoas): fornecem ácidos gordos, vitamina E, magnésio e proteínas de elevada qualidade. Uma mão cheia entre as refeições é uma ótima opção.
Vegetais de folha verde escura: cálcio, ferro, ácido fólico. A biodisponibilidade varia (os espinafres contêm oxalatos que se ligam aos minerais), mas, com uma alimentação variada, consegue obter a quantidade necessária.
Leguminosas: proteína vegetal, fibras, vitaminas do complexo B. As fibras alimentam a sua microbiota, que por sua vez modula a do bebé através do leite.
Hidratação: Não precisa de estar obcecada em beber litros de água extra, mas deve sentir sede (que aumenta durante a ejeção do leite). A cor da sua urina é um melhor indicador do que contar copos.
6.3. Galactagogos: mito ou realidade?
Feno-grego, cardo-mariano, levedura de cerveja… São utilizados há séculos. As evidências científicas são escassas (poucos ensaios clínicos randomizados), mas a experiência empírica e alguns estudos de pequena escala sugerem um efeito moderado.
O que sabemos:
- O efeito placebo na amamentação é poderoso: acreditar que algo funciona reduz o stress, o stress inibe a ocitocina, menos stress = melhor descida do leite.
- Alguns compostos (como os fitoestrogénios presentes no feno-grego) possuem plausibilidade biológica.
- Nenhum galactagogo pode substituir a extração/aspiração frequente e eficaz.
Consulte o seu profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplemento durante a amamentação.
7. Cuidados ao recém-nascido e desenvolvimento infantil
Os primeiros meses são um período crítico em que se estabelecem padrões que podem persistir durante anos. Amamentação, sono, ligação afetiva… tudo está interligado num sistema complexo onde pequenas intervenções têm efeitos amplificados.
7.1. Rotinas: estrutura versus flexibilidade
Procura absoluta sem limites
Isto pode levar à exaustão materna se o bebé quiser mamar de hora a hora para se confortar, e não por fome. Identifique dois tipos de sucção: nutritiva e não nutritiva (incorretamente designada por sucção da mãe/chupeta). Ambos os tipos de sucção são importantes tanto para o bom funcionamento do processo de amamentação como para o desenvolvimento orofacial do bebé.
Horários rígidos a cada 3-4 horas
Ignoram o facto de que os bebés têm picos de crescimento em que precisam de mamar com mais frequência. Forçar intervalos longos entre as mamadas pode comprometer o aumento de peso, pois desequilibra a procura e a produção de leite.
O meio-termo sensato
- Respeitar os sinais de fome do bebé (procurar com a boca, chuchar nas mãos, inquietação) e estar sempre atento a estes sinais precoces tornará a alimentação mais fácil e tranquila; se, pelo contrário, esperarmos pelo choro, poderá ser mais difícil para o bebé acalmar-se e conseguir mamar bem.
- Observe os padrões: a maioria dos bebés desenvolve alguma regularidade espontânea por volta das 6-8 semanas.
- Diferencie a fome de outras necessidades: nem todo o choro se resolve com a amamentação; o bebé pode estar com frio, com a fralda molhada, nervoso…
- Pode tentar estabelecer pelo menos um período de sono de 4 a 5 horas (geralmente à noite). Mas a abordagem mais sensata é respeitar o desenvolvimento fisiológico do sono do bebé.
Manter níveis adequados de magnésio e vitaminas do complexo B pode contribuir para uma melhor qualidade do sono durante as horas disponíveis para dormir. A BrudyLactancia inclui estes micronutrientes na sua fórmula.
7.2. Evolução dos cuidados materno-infantis
Há décadas, as recomendações médicas eram rigorosas: horários rigorosos, não pegar num bebé a chorar ao colo (“isso vai mimá-lo”), amamentação a horas definidas. As evidências atuais refutam quase tudo isto.
Mudanças baseadas na ciência:
- O contacto pele a pele: já não se limita ao período pós-parto, sendo recomendado diariamente durante os primeiros meses. Regula a temperatura e o ritmo cardíaco, além de reduzir o cortisol.
- Transportar o bebé de forma ergonómica: manter o bebé perto de si num carregador adequado promove o aleitamento materno em livre demanda e também liberta as mãos da mãe para cuidar melhor dele ou realizar outras atividades da rotina.
- Dormir junto com o bebé de forma segura: embora seja um tema controverso, quando feito corretamente (superfície firme, sem almofadas perto do bebé, mãe sem fumar ou sob o efeito de substâncias, evitando a exaustão extrema) facilita a amamentação noturna e contribui para o descanso de ambos.
Os cuidados atuais integram a neurociência (compreendemos melhor como se forma o vínculo afetivo), a imunologia (sabemos que o stress crónico afeta a imunidade do bebé) e a psicologia perinatal (reconhecemos os fatores de risco para a depressão materna).
8. Considerações especiais
8.1. Álcool e amamentação: evidência e orientações para redução de riscos
A recomendação oficial é evitar completamente o álcool. A realidade, porém, é mais complexa.
O que sabemos:
O álcool passa para o leite materno na mesma concentração que no sangue; isto pode deixar o bebé letárgico e sem apetite.
Os níveis máximos são atingidos 30 a 60 minutos após a ingestão (em jejum) ou 60 a 90 minutos (com alimentos). Evite amamentar durante 2 horas por cada 10 a 12 gramas de álcool consumidos.
Não durma na mesma cama que o seu bebé se tiver bebido; deixe que outra pessoa cuide dele.
É eliminado na mesma proporção que do sangue: uma mulher de 60 kg metaboliza aproximadamente 1 unidade de álcool (uma cerveja, um copo de vinho) em 2 a 3 horas.
Estratégias de redução de risco:
- Amamentar imediatamente antes de consumir álcool
- Extrair e eliminar o leite materno NÃO acelera a eliminação do álcool (isto é um mito), mas pode aliviar o ingurgitamento mamário se já tiver passado muito tempo.
- Os bebés com menos de 3 meses metabolizam o álcool mais lentamente; tenha cuidados redobrados com os recém-nascidos.
A amamentação não exige a abstinência total de álcool durante meses, mas requer planeamento e bom senso.
O consumo moderado e ocasional (uma bebida numa comemoração), com intervalos de espera adequados, acarreta um risco mínimo.
O consumo regular ou episódios de consumo intensivo comprometem a segurança do bebé.
8.2. Outros fatores críticos
Medicação: A maioria dos medicamentos é compatível com a amamentação, mas muitos médicos recomendam a sua suspensão devido à falta de conhecimento. Recursos como o e-lactancia.org (atualizado pelos pediatras do Hospital Marina Alta) permitem verificar a compatibilidade real de quase qualquer princípio ativo.
Tabaco: O principal problema é o risco que o fumo do tabaco representa para o bebé, e não tanto as substâncias que podem chegar ao bebé através do leite materno. Estudos demonstram que os filhos de mães fumadoras têm maior risco de sofrer de infeções nos ouvidos, asma, bronquite, entre outras. A nicotina que passa para o leite pode causar irritabilidade, cólicas e reduzir a produção de leite.
Mas mesmo para quem fuma, amamentar continua a ser melhor do que dar fórmula (fornece anticorpos que compensam parcialmente os danos).
Idealmente: não fume. Realisticamente: se não conseguir deixar de fumar, reduza o consumo ao mínimo, fume após as mamadas e aguarde pelo menos 2 horas antes de amamentar. Nunca fume perto do bebé; o melhor é fumar ao ar livre ou na varanda. Lave bem as mãos, a cara e os dentes antes de pegar no bebé ao colo.
Não durma na mesma cama que o bebé se tiver fumado.
Stress e saúde mental materna: níveis cronicamente elevados de cortisol podem inibir a ejeção do leite (a ocitocina não é libertada adequadamente). Não se trata de a mãe “não ter leite”, mas sim de o stress bloquear a sua libertação. Isto envolve estratégias farmacológicas (caso exista depressão clínica), suplementos adaptogénicos (Rhodiola, Ashwagandha) disponíveis em formulações específicas para a amamentação, após consulta com um profissional de saúde, e, fundamentalmente, apoio social e repouso.
Este conteúdo tem um carácter meramente informativo e não substitui a consulta médica individualizada.
9.Um processo natural que requer suporte
9.1. Desmistificar sem desvalorizar
A amamentação é natural, fisiológica e fundamental para o desenvolvimento e evolução da nossa espécie; mas não é necessariamente fácil.
Perdemos os modelos femininos que, durante décadas, ensinaram e apoiaram o processo de amamentação em contexto comunitário, com mães, avós e irmãs que amamentavam ou já tinham amamentado; foram substituídas por uma maternidade mais solitária, sem estes modelos, e se houver profissionais mal formados no assunto, tudo se torna mais difícil.
Neste contexto, esperar que cada mãe amamente sem dificuldades é uma abordagem irrealista que pode levar à frustração e comprometer o bem-estar tanto da mãe como do bebé.
Realidades que devem ser aceites:
- Aproximadamente apenas 1 a 5% das mulheres apresentam hipogalactia primária verdadeira (produção insuficiente devido a razões anatómicas ou endócrinas).
- Outros 15 a 20% enfrentam dificuldades graves que, sem o apoio adequado, levam ao desmame precoce.
- A dor nas primeiras semanas é comum e tornou-se socialmente normalizada, mas não é fisiológica: geralmente indica uma pega superficial que pode ser corrigida com a ajuda de um profissional de amamentação (parteira).
- A pressão social (“se realmente quiser, pode”) ignora os fatores médicos, relacionados com o trabalho e psicológicos reais.
- Falta de profissionais de saúde que sejam verdadeiramente especialistas em amamentação.
O papel da suplementação estratégica: os produtos BRUDYLAB oferecem suporte nutricional e imunológico onde a evidência científica demonstra deficiências comuns. Uma mãe bem nutrida, com níveis óptimos de vitaminas, minerais e ácidos gordos essenciais, tem maior probabilidade de manter o aleitamento materno com sucesso do que uma mãe exausta e com carências nutricionais.
9.2. Quando procurar ajuda profissional
Não espere até chegar ao seu limite. As parteiras e consultoras de lactação certificadas (IBCLCs) podem identificar e corrigir problemas que um pediatra geral pode não notar.
- A língua presa, que limita o bom funcionamento da língua, dificultando a pega e a sucção (anquiloglossia), pode originar inúmeras complicações tanto para a mãe (fissuras, bolhas, pérolas de leite, mastites, abcessos…) como para o bebé (gases, regurgitação, baixo aumento de peso, irritabilidade, futuros problemas orofaciais, dentários, posturais, etc.) e deve ser avaliada por um especialista.
- Assimetrias faciais e/ou mandibulares que impedem uma boa preensão e a abertura adequada da boca.
- Reflexo de ejeção hiperativo, sobreprodução ou hipogalactia secundária.
- Infeções como mastites, fissuras nos mamilos, obstruções, bolhas de leite, inflamações, ingurgitamento mamário, sensação de picadas…
Investir nos especialistas certos ajuda a resolver problemas que, sem intervenção, levariam ao abandono do aleitamento materno.
10. Perguntas Frequentes
10.1. Durante quanto tempo devo amamentar?
A OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo durante os 6 meses, seguido da introdução de alimentos complementares a partir daí até, pelo menos, aos 2 anos de idade.
Mas cada díade mãe-bebé é diferente. Alguns bebés desmamam espontaneamente com um ano de idade; outros continuam a mamar até aos 3 ou 4 anos. Não existe uma duração “correta” universal. O momento certo para desmamar é quando a mãe ou o bebé (ou ambos) já não desejam continuar.
10.2. Como posso saber se o meu bebé está a receber leite suficiente?
Sinais fiáveis:
- Ganha peso adequadamente (recupera o peso à nascença em 10 a 14 dias e depois cerca de 150 a 200 gramas por semana durante os primeiros meses).
- Molha 6 a 8 fraldas por dia com urina clara.
- Ele/Ela evacua regularmente (pelo menos 3 a 4 vezes por dia durante o primeiro mês).
- Ativo e reativo quando acordado
- Calmo e descontraído durante as filmagens.
- Pele lisa e hidratada, com secreção lacrimal, mucosas rosadas e húmidas.
O que NÃO é um indicador fiável: o bebé pede a mama com muita frequência (pode ser para crescer ou para se sentir mais confortável), as mamas parecem vazias (a produção ajusta-se em tempo real), as mamadas são demasiado curtas ou demasiado longas (cada bebé tem o seu próprio padrão).
10.3. A amamentação previne as alergias?
Sim, mas com algumas nuances. O aleitamento materno exclusivo durante os primeiros 4 a 6 meses reduz o risco de alergias alimentares, asma e dermatite atópica. Os oligossacáridos presentes no leite materno modulam a tolerância imunológica intestinal, ensinando o sistema imunitário a não reagir de forma exagerada às proteínas alimentares.
No entanto, se existir um forte historial familiar de alergias, a amamentação por si só não garante uma prevenção completa. Ela é um fator de proteção, não uma barreira absoluta.
10.4. Posso amamentar se tiver implantes mamários?
Em geral, sim. Depende da técnica cirúrgica. Se a incisão for periareolar (à volta do mamilo), existe um maior risco de lesão dos ductos e nervos. Se for inframamária ou axilar, há menos probabilidades de interferência.
A maioria das mulheres com implantes consegue amamentar, embora algumas apresentem uma redução na produção de leite. Os implantes de silicone coesivo modernos não libertam substâncias para o leite materno em quantidades significativas.
10.5. O tamanho dos seios influencia a produção de leite?
Não. O tamanho dos seios depende do tecido adiposo, e não do número de alvéolos (estruturas produtoras de leite ou tecido glandular). Os seios pequenos podem ter a mesma capacidade de produção de leite que os seios grandes. O que varia é a capacidade de armazenamento: os seios grandes podem espaçar mais as mamadas porque retêm mais leite; os seios pequenos precisam de ser esvaziados com mais frequência, mas a produção diária total é equivalente.
10.6. Os suplementos BRUDYLAB interferem com os medicamentos de uso contínuo?
Os produtos BRUDYLAB são seguros e não apresentam interações com medicamentos comuns (contracetivos, analgésicos, anti-hipertensores). No entanto, é sempre recomendável consultar o seu médico antes de adicionar qualquer suplemento à sua rotina.
10.7. O que é a Técnica Marmet?
A Técnica Marmet é um método manual de extração de leite materno desenvolvido por Chele Marmet, consultora de lactação certificada (IBCLC). Combina massagem e pressão rítmica na aréola para estimular o reflexo de ejeção do leite e facilitar o fluxo, sem necessidade de bomba de extração.
Evite a pressão negativa sobre o mamilo, que é útil em casos de fissuras ou dor durante a amamentação.
10.8. Posso amamentar se tiver mastite?
Não só pode, como deve. Esvaziar a mama regularmente é essencial para o tratamento. O leite não está contaminado e o bebé pode mamar sem problemas, embora por vezes rejeite essa mama porque a infecção deixa o leite com um sabor salgado (a infecção está no tecido mamário, não no leite). Interromper a amamentação aumenta o risco de abcesso mamário e de complicações sistémicas.
Se a mastite não melhorar em 24 a 48 horas com esvaziamentos mamários frequentes, probióticos e analgésicos, será necessário um antibiótico compatível com a amamentação.
10.9. O que devo fazer se o meu bebé recusar subitamente o peito?
As “greves de amamentação” (recusa súbita sem causa aparente) podem ser causadas por:
- Congestão nasal que dificulta a amamentação; a irrigação nasal antes da amamentação e a humidificação do ambiente ajudam a fluidificar o muco.
- Alteração do sabor do leite (devido à sua dieta, menstruação, infeção, nova gravidez)
- Sobreestimulação ou rotinas alteradas
- Nascimento dos dentes (gengivas dolorosas)
- Um reflexo de ejeção muito forte que o domina e pode engasgar-se.
Este não é geralmente um verdadeiro desmame (os bebés com menos de 1 ano raramente desmamam espontaneamente). Mantenha-se por perto, ofereça o peito durante o sono leve e extraia leite para manter a sua produção. A maioria destas “greves” resolve-se em 3 a 7 dias.
10.10. É normal uma mama produzir mais leite do que a outra?
Completamente normal. Muitas mulheres têm uma mama “dominante”. Se a diferença for extrema, pode oferecer a mama menos produtiva preferencialmente para a estimular. Mas uma assimetria moderada não afeta a nutrição do bebé, desde que a ingestão diária total satisfaça as suas necessidades.
Embora uma clara preferência por uma das mamas possa, por vezes, indicar um problema cervical ou tensão muscular que cause desconforto ao bebé durante a amamentação, é sempre aconselhável consultar um especialista.
10.11. Até que idade são relevantes os suplementos BRUDYLAB?
Durante todo o período de amamentação. Embora a procura seja maior durante os primeiros 6 meses (amamentação exclusiva), as necessidades nutricionais da mãe mantêm-se elevadas enquanto amamenta.
Após a introdução da alimentação complementar, o bebé continua a obter imunoglobulinas, fatores de crescimento e micronutrientes do leite materno.
Manter níveis ótimos de DHA, vitaminas e minerais na mãe garante que estes componentes permanecem no leite durante todo o período de amamentação.
LITERATURA
- Lawrence, R.A., & Lawrence, R. M. (2021). Amamentação: um guia para a profissão médica (9ª ed.). Elsevier.
- Organização Mundial de Saúde. (s.d.). Aleitamento materno. OMS.
- Revista de Lactação Humana. (desde 1984). Publicações SAGE.
- Espanha. Ministério da Saúde, Consumo e Bem-Estar Social. (2017). Orientação de prática clínica sobre amamentação.
- Espanha. Ministério da Saúde, Consumo e Bem-Estar Social. (2017). Um guia para as mães que amamentam, os seus companheiros e familiares.
- Instituto Nacional de Gestão em Saúde (INGESA). (s.d.). Guia para uma amamentação feliz.
- Associação Espanhola de Pediatria. (2023). Guia de amamentação.
- Padró, A. (2020). *Somos as melhores: Dúvidas, conselhos e falsos mitos sobre a amamentação*. Grijalbo Ilustrado.
- Padró, A. (2022). *Muitas mamas: O manual de amamentação*. Grijalbo.
- Padró, A. (2024). *Amamentação e trabalho: Como voltar sem morrer na tentativa*. Penguin Random House.
- Padró, A. (s. f.). *Desmame. Fim de uma etapa*. Grijalbo.
- Padró, A., & Baquero, A. (s.d.). *Somos feitos de leite: um livro para celebrar o aleitamento materno*. Penguin Kids.
- Padró, A. (s.d.). *Os seus seios são fixes: aprenda a amá-los*. Montena.
- Martín-Ramos, S., Domínguez-Aurrecoechea, B., García Vera, C., et al. (2024). *Amamentação em Espanha e fatores relacionados com o seu estabelecimento e manutenção: estudo LAyDI (PAPenRed)*. Cuidados Primários, 56, 102772.
- Llorente-Pulido, S., Custódio, E., & Otero-García, L. (2025). *Fatores inibidores e protetores do aleitamento materno exclusivo numa população insular em Espanha: um estudo longitudinal*. Revista Internacional de Amamentação.
- Espanha. Ministério da Saúde, Consumo e Bem-Estar Social. (2017). *Orientação de prática clínica sobre aleitamento materno*












