
Título: Amamentação e hidratação
Publicado: - Atualizado:
Autor: Redacción BRUDYLAB
Avaliador: Dra. Leia Garrote - Diretor Médico
Amamentação e hidratação
Amamentação e calor: um bebé com menos de seis meses precisa de água?
A Semana Mundial do Aleitamento Materno celebra-se de 1 a 7 de agosto, uma oportunidade útil para esclarecer uma dúvida especialmente comum durante o verão:
Os bebés com menos de seis meses precisam de água quando está calor?
Com a chegada do tempo mais quente, surge quase automaticamente a seguinte questão: se os adultos precisam de beber mais água, será que um bebé também deve beber? Para um bebé saudável com menos de seis meses de idade que seja amamentado em exclusivo, a resposta geral, segundo as guidelines, é não. O leite materno fornece os líquidos e os nutrientes de que o bebé necessita; assim, “amamentação exclusiva” significa que não é oferecido qualquer outro alimento ou bebida, nem mesmo água, exceto medicamentos, vitaminas ou soluções prescritas por um profissional de saúde.
O calor pode, de facto, alterar os padrões de alimentação. Alguns bebés mamam com maior frequência e por períodos mais curtos. Amamentar em livre demanda, oferecer o peito com frequência e observar o bebé é, geralmente, mais útil do que tentar seguir uma rotina rígida.
Resposta curta: o aleitamento materno exclusivo também hidrata.
O leite materno é composto maioritariamente por água e fornece energia e nutrientes numa composição adaptada aos primeiros meses de vida. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses. Neste contexto, “exclusivo” significa não adicionar água, mesmo quando a temperatura ambiente é elevada.
Esta recomendação aplica-se a bebés saudáveis, nascidos de termo e que estejam a ser amamentados com sucesso. A prematuridade, certas doenças, dificuldades de alimentação ou uma indicação clínica específica exigem um plano individualizado. Nestes casos, as recomendações gerais online não substituem a avaliação de uma equipa de pediatria, obstetrícia ou consultoria em lactação.
Ponto principal: O calor não torna a água um complemento rotineiro ao aleitamento materno exclusivo antes dos seis meses. Geralmente, aumenta as oportunidades de amamentação.
Porque é que oferecer água antes dos seis meses não é inofensivo
Pode parecer que um pouco de água não fará diferença, mas o estômago de um bebé tem uma capacidade limitada. Se a água substituir uma mamada, o bebé receberá menos leite e, consequentemente, menos energia e nutrientes. Além disso, a água ou os utensílios utilizados podem introduzir microrganismos se não forem devidamente higienizados.
Também não é aconselhável substituir a água por chás de ervas, sumos ou outras bebidas. Estas opções não fazem parte do aleitamento materno exclusivo e podem substituir o leite sem oferecer qualquer benefício comprovado. A recomendação é especialmente simples: quando tiver sede ou com maior exigência nos dias quentes, ofereça o peito.
Com o calor, mais oportunidades para amamentar e menos tempo passado no trabalho.
A amamentação em livre demanda implica responder aos sinais do bebé, sem necessariamente esperar que ele chore ou impor intervalos fixos. O bebé procurar a mama com a boca, levar as mãos à cara, aumentar os movimentos ou ficar inquieto podem ser sinais precoces de que quer mamar. O choro é geralmente um sinal posterior.
Nos dias quentes, é razoável oferecer o peito com frequência, mesmo que o bebé não esteja a seguir o seu padrão habitual de alimentação. Não é necessário cronometrar cada mamada com precisão: algumas podem ser mais curtas e mais frequentes. O mais importante é observar o fluxo geral do dia, a transferência de leite e o estado geral do bebé.
Para as mães que amamentam, ter água sempre disponível e beber consoante a sede contribui para o seu bem-estar. Forçar-se a beber quantidades excessivas não garante o aumento da produção de leite. Caso ocorram tonturas, mal-estar intenso ou sinais de desidratação materna, é aconselhável procurar aconselhamento médico.
O que observar para saber se a dose é eficaz
Não existe um único sinal que explique tudo. A avaliação combina a forma como o bebé está a mamar, o seu desenvolvimento e o seu estado geral. É importante ter em atenção diversos fatores:
- O bebé abocanha a mama profundamente e a amamentação não causa dor persistente.
- Observam-se movimentos de sucção e deglutição, ou seja, momentos em que o bebé engole leite.
- Depois de muitas mamadas parece relaxado ou satisfeito, embora possa voltar a encomendar em breve.
- O padrão de xixi na fralda dele é compatível com a idade e não diminui visivelmente em comparação com o normal.
- O acompanhamento do peso e do crescimento pela equipa de saúde é adequado.
Durante os primeiros dias de vida, o número de fraldas mudadas varia rapidamente, pelo que um único dado pode ser enganador. Em caso de dúvidas sobre a quantidade de leite que o bebé está a ingerir, a pega correta ou o peso, uma avaliação direta por um profissional de lactação qualificado é mais útil do que tentar compensar com água.
Alimentação com fórmula ou mista: não extrapole a recomendação.
A instrução “não adicione água” aqui refere-se ao aleitamento materno exclusivo. Se o bebé for alimentado com fórmula infantil ou se o aleitamento materno for combinado com a alimentação com fórmula, as instruções de preparação do produto e as orientações da equipa de saúde devem ser rigorosamente seguidas. Nunca dilua a fórmula com mais água do que a indicada: a alteração da proporção modifica a sua concentração nutricional e de sais.
Algumas diretrizes nacionais recomendam pequenas quantidades de água fervida e arrefecida para certos bebés alimentados com fórmula infantil com menos de seis meses de idade em clima quente. Como esta recomendação depende do contexto, da idade e da condição do bebé, não deve ser seguida automaticamente: o ideal é consultar um pediatra ou enfermeiro pediátrico e continuar a oferecer a fórmula infantil como a principal bebida do bebé.
Sinais que requerem consulta profissional
Qualquer alteração significativa no comportamento habitual do bebé exige atenção. Uma diminuição acentuada da frequência de fraldas molhadas, boca seca, ausência de lágrimas ao chorar, olhos ou fontanela afundados, sonolência invulgar, dificuldade em acordar o bebé, irritabilidade intensa, respiração acelerada ou vómitos ou diarreia repetidos podem indicar desidratação ou outros problemas de saúde.
Perante estes sinais, não basta simplesmente oferecer água ou esperar que o calor diminua: a avaliação médica é essencial. Se o bebé estiver muito letárgico, difícil de acordar, com dificuldade respiratória ou se o seu estado clínico se agravar rapidamente, deve procurar assistência médica de urgência. As famílias podem recorrer aos serviços de saúde da sua área e, em caso de emergência, ligar para o 112.
Um plano simples para os dias quentes
- Ofereça o peito em livre demanda e aumente as oportunidades de amamentação se o bebé as aceitar.
- Procure ambientes frescos e ventilados, evite a luz solar direta e reduza as saídas durante as horas de maior calor.
- Vista o bebé com roupas leves e evite agasalhá-lo demasiado ou cobri-lo desnecessariamente.
- Observe o seu estado geral, a sua alimentação e se está a molhar as fraldas normalmente para ele.
- Procure ajuda profissional se a amamentação for dolorosa, se o bebé não conseguir pegar corretamente na mama, se se recusar a mamar repetidamente ou se surgirem outros sinais de alerta.
Tenha cuidado sem adicionar nada em excesso.
Para a maioria dos bebés saudáveis, alimentados exclusivamente com leite materno, com menos de seis meses de idade, o controlo da temperatura não passa por adicionar água, mas sim por facilitar as mamadas frequentes, manter um ambiente fresco e observar o bebé. As recomendações alteram-se em casos de prematuridade, doença, alimentação com fórmula infantil ou alguma dificuldade específica na amamentação. Nestes casos, uma avaliação individualizada e revista é a opção mais segura.
Perguntas frequentes
1.Um bebé com menos de seis meses de idade que é amamentado em exclusivo necessita de água?
Em geral, não. O leite materno fornece os fluidos e os nutrientes necessários; a OMS recomenda que o aleitamento materno exclusivo não inclua outras bebidas, nem mesmo água.
2.º E se houver uma onda de calor?
A recomendação geral mantém-se a mesma para um bebé saudável, alimentado exclusivamente com leite materno. O peito pode ser oferecido com mais frequência e a condição geral do bebé deve ser monitorizada.
3.º É normal ele pedir o peito com mais frequência?
Sim, isto pode acontecer devido ao calor. As mamadas podem ser mais frequentes e, por vezes, mais curtas.
4.º É aconselhável esperar algumas horas entre as tomas?
Não há necessidade de impor um horário rígido. A amamentação em livre demanda responde aos sinais do bebé.
5.º Uma mamada curta significa que o bebé não mamou o suficiente?
Não necessariamente. A duração varia; a deglutição, a condição do bebé, a troca de fraldas e o aumento de peso são também fatores importantes.
6.º Posso oferecer chá de camomila, sumo ou outra bebida?
Não. Não fazem parte do aleitamento materno exclusivo e podem substituir as mamadas com leite.
7.º O que acontece se o bebé for alimentado com fórmula infantil?
A fórmula não deve ser diluída nem a sua preparação alterada. Qualquer adição de água antes dos seis meses de idade deve ser discutida com a equipa de saúde.
8.º Como posso saber se está devidamente hidratado?
É aconselhável observar o quadro geral: alimentação eficaz, estado de alerta habitual, boca húmida, fraldas molhadas sem diminuição evidente e crescimento controlado.
9.º Quando devo pedir ajuda?
Se estiver claramente a molhar menos fraldas, estiver muito sonolento, difícil de acordar, com a boca seca, sem lágrimas, a recusar as mamadas ou a piorar, precisa de uma avaliação médica.
10.º Uma pessoa que amamenta deve beber muito mais água?
A água deve estar disponível e ser consumida consoante a necessidade. O consumo excessivo de água não garante o aumento da produção de leite; o bem-estar materno também deve ser monitorizado.
Literatura
- Organização Mundial de Saúde. Alimentação de lactentes e crianças pequenas. Ficha informativa da OMS, 2023.
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/infant-and-young-child-feeding - Organização Mundial de Saúde. Semana Mundial do Aleitamento Materno. Campanha institucional, s.f.
https://www.who.int/campaigns/world-breastfeeding-week - UNICEF Europa e Ásia Central. Amamentação durante uma onda de calor. UNICEF, s. f.
https://www.unicef.org/eca/stories/breastfeeding-during-heat-wave - Serviço Nacional de Saúde. Bebidas e copos para bebés e crianças pequenas. NHS, 2023.
https://www.nhs.uk/conditions/baby/weaning-and-feeding/drinks-and-cups-for-babies-and-young-children/ - Serviço Nacional de Saúde. Desidratação. SNS, s. F.
https://www.nhs.uk/conditions/dehydration/ - Painel da EFSA sobre Produtos Dietéticos, Nutrição e Alergias (NDA). Parecer científico sobre Valores de Referência Dietéticos para a água. Jornal EFSA, 2010; 8(3):1459.
https://doi.org/10.2903/j.efsa.2010.1459 - Organização Mundial de Saúde. Calor e saúde. Ficha informativa da OMS, 2024.
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/climate-change-heat-and-health - Organização Mundial de Saúde. Orientações para a alimentação complementar de lactentes e crianças pequenas dos 6 aos 23 meses de idade. OMS, 2023.
https://www.who.int/publications/i/item/9789240081864 - Ndikom CM, Fawole B, Ilesanmi RE. Fluidos extra para mães que amamentam para aumentar a produção de leite. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2014; (6):CD008758.
https://doi.org/10.1002/14651858.CD008758.pub2 - Organização Mundial de Saúde. Proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno em unidades de saúde materna e neonatal. OMS, 2017.
https://www.who.int/publications/i/item/9789241550086








